Ensaio Feminino | Bruna e a entrega a mãe Gaia | Palmeira

11 de maio de 2017 em

Fotografar é sempre uma via de mão dupla. Tenha certeza que se algum sentimento desperta do outro lado, também desperta em mim. Fotografar a Bruna foi uma experiência de entrega tão intensa que ainda não consigo falar muito. Mas espero que as fotos falem por nós e também deixo esse trecho da Clarissa Pinkola Estés, do livro Mulheres que Correm Com os Lobos – Mitos e histórias do arquétipo da Mulher Selvagem, que mora na minha cabeceira e me inspira muito.

Bru, gratidão gigantesca por se permitir ser, com todos seus sentidos e sentimentos.

“O anseio pela mulher selvagem surge quando nos encontramos por acaso com alguém que manteve esse relacionamento com ela. Ele brota quando percebemos que dedicamos pouquíssimo tempo à fogueira mística ou ao desejo de sonhar, um tempo ínfimo à nossa própria vida criativa, ao trabalho da nossa vida ou aos nossos verdadeiros amores.

Contudo, são esses vislumbres fugazes, originados tanto da beleza quanto da perda, que nos deixam tão desoladas, tão agitadas, tão ansiosas que acabamos por seguir nossa natureza selvagem. É então que saltamos floresta adentro, em meio ao deserto ou à neve, e corremos muito, com nossos olhos varrendo o solo, nossos ouvidos em fina sintonia, procurando em cima e embaixo, em busca de uma pista, um resquício, um sinal de que ela ainda está viva, de que não perdemos nossa oportunidade. E, quando farejamos seu rastro, é natural que corramos muito para alcançá-la, que nos livremos da mesa de trabalho, dos relacionamentos, que esvaziemos nossa mente, viremos uma nova página, insistamos numa ruptura, desobedeçamos as regras, paremos o mundo, porque não vamos mais prosseguir sem ela.

Uma vez que as mulheres a tenham perdido e a tenham recuperado, elas lutarão com garra para mantê-la, pois com ela suas vidas criativas florescem; seus relacionamentos adquirem significado, profundidade e saúde; seus ciclos de sexualidade, criatividade, trabalho e diversão são restabelecidos; elas deixam de ser alvo para as atividades predatórias dos outros; segundo as leis da natureza, elas têm igual direito a crescer e vicejar. Agora, seu cansaço do final do dia tem como origem o trabalho e esforços satisfatórios, não o fato de viverem enclausuradas num relacionamento, num emprego ou num estado de espírito pequenos demais. Elas sabem instintivamente quando as coisas devem morrer e quando devem viver; elas sabem como ir embora e como ficar.”

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Barbara Vanzo